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Neste trigésimo quinto ano de seu desaparecimento, materializou-se um
documentário sobre um pouco da sua vida, sua obra e seu legado.
Quantas vezes, ao longo desse tempo, contei e recontei para minha esposa,
minhas filhas e amigos, as diversas e geralmente divertidas, engraçadas,
passagens de sua vida que ouvi ele contar.
Ypê Nakashima, meu pai, apesar de ter vivido períodos críticos como o
da Segunda Grande Guerra Mundial, nunca transpareceu um ar trágico,
obscuro, traumatizado.
Pelo contrário, nas próprias fotos dos vários álbuns, a não ser pelo uniforme
de estudante, bastante militar no estilo, o clima que se denota é de alegria,
descontração.
Não dá a impressão que o pano de fundo é o horror da guerra.
Ypê mesmo, participa no finalzinho, por imposição do governo, na artilharia
anti-aérea em Nagasaki, onde a segunda bomba atômica foi derrubada.
Uma das últimas vezes que contei a história de Ypê, foi para um novo
amigo, Hélio Ishii, o diretor do documentário “Ypê Nakashima”.
Pude ver no documentário do Hélio aspectos novos a respeito de Ypê, ou
seja, é a versão do Hélio, assim como é a versão das minhas filhas, é a
versão da minha esposa. Mas mesmo com essa diversidade de versões a
respeito de Ypê, me parece que o que se sobressai é a sensação forte da
alegria, da diversão, da felicidade.
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